Muito bem, aqui estou eu, com as horas literalmente contadas, e dando importância para os comentários de gente que nunca vi e que em breve nunca mais verei. E eu sofro, me irrito, quero atacar e defender. Para que perder tempo com isso?

— Paulo Coelho (Veronika decide morrer)

Olhava o céu coberto de estrelas e pensava consigo. Como se elas pudessem ouvi-lo. Como se, caso o ouvissem, dar-lhe-ia respostas que nem mesmo o menino conseguia concluir por si só. A verdade é que estava confuso como fora por toda sua vida. Nunca soubera lidar de imediato com acontecia interiormente com ele. Tampouco com o que acontecia ao seu redor. O que lhe rendia horas perdidas divagando a respeito de questões que, talvez, nem ao mesmo possuíssem respostas.

Lucas R. (via liberta-te)

É nas tentativas que as coisas acontecem. Vou eu tentando ser forte, um dia eu consigo. Vou eu tentando entender a vida, um dia, eu encontro um manual explicando como ela é. Vou eu sorrindo sem motivo, pra um dia, morrer de ri com algum sentido. Vou eu tentando esquecer você, pra que quem sabe, por delicadeza da vida, ela me faça te esquecer.

Débora Yamamoto    (via ventanous)

Eu tinha — e tenho — um monte de coisas pra te dizer, aquelas coisas que a gente cala quando está perto porque acha que as vibrações do corpo bastam, ou por medo, não sei.

Caio Fernando de Abreu.    (via drunklesser)

Eu quero sentir o amor. Não desses que a gente recebe dos amigos, dos pais. Quero aquele que me faça mudar todos os conceitos errados sobre ele, que não seja daquele tipo que vejo por aí, que não passam de um mês. Um que me faça sentir coisas que jamais imaginei que existissem. Quero saber cuidar, entender, respeitar, que faça meu coração acelerar só de sentir o toque. Aquele que me faça sorrir com um sussurro no ouvido ou no intervalo de um beijo demorado, que me faça sentir borboletas no estômago. Um que eu possa ter a confiança de me entregar por inteira sem ter medo de cair. Que não seja à base do sexo, que seja muito mais do que promessas. Aquele que me faça parar pra pensar e perguntar: Por onde você esteve? Te procurei em tantos corações vazios por aí…

— Perceptível.  (via excitar-se)

Sentado em casa. em frente a tv. queria ver os flintstones. estava esperando pelos flintstones. mas o desenho não passou. ao invés disso, havia um urso. um enorme urso chorando. eu não entendia nada do que estava acontecendo. nada da política mundial, boicote, guerra fria. mas me lembro bem. me lembro daquela frustração bem infantil de não conseguir o que eu queria por um motivo que eu ignorava. e me lembro bem daquele urso chorando. um dia, quando eu ficar velho, se eu ficar velho, quando as sinapses forem enfraquecendo, quando eu não conseguir mais reter novas informações, quando a ligação elétrica entre meus neurônios ficar cada vez mais fraca, quando eu for progressivamente esquecendo os eventos mais recentes, a impressão que tenho é que essa vai ser a última coisa que vou esquecer. a última informação. a última imagem. nessa minha mente que já tanto sonhou, pensou, chorou, sofreu, amou, invejou, vai restar somente a lágrima daquele urso.

— Alex Castro, “minha memória mais antiga”. (via infertil)

Escrevo numa tarde cinzenta e fria, trabalho pra espantar a solidão nos meus pensamentos, hoje assumi em público a minha doença, estou mais leve, mais livre, mais ainda tenho muitos medos, medo de voar, de amar, de morrer, de ser feliz, medo de fazer análise e perder a inspiração, ganho dinheiro cantando as minhas desgraças, comprar uma fazenda e fazer filhos talvez fosse uma maneira de ficar pra sempre na terra, porque discos arranham e quebram.

Cazuza.  (via pseudonimobeijaflor)

Mas afinal, ninguém é preparado para sofrer. Não sabemos quando isso irá acontecer. Somos racionais o suficiente pra perceber que um dia isso terá um começo. Surgirá do nada, talvez até de uma alegria. Agora, eu só me importo com o término disso, se é que um dia terá total fim.

Manuscrituras, sofrer.  (via amarga-metade)

As forças esvaiam-se de seu corpo como folhas secas numa tarde onde o outono sopra seus ventos lúgubres. Embora sorrisse, curvando-se a cada gargalhada, sua alma chorava. Não estava mais em si, sua psicose ganhara vida. Adormeceu e sonhara com uma terra encantada onde a paz reinava e não havia guerras nem preconceito. Que disparate! Ele mesmo rira de sua utopia frágil e escandalosa, vejam só: paz e um mundo onde todo mundo era bom! Isso nunca existiu, meus caros! Nunca! Paranoia? Esquizofrenia? Lacan não vive mais, quem dirá Freud, quem agora explicaria seu surto? Não, de forma alguma seriam esses doutorzinhos imberbes. A psicose era sua válvula de escape, e assim seria para sempre, era um preço barato comparado à sua realidade dilacerante. Quem condenaria um louco? Mas a verdade era que, por baixo de sua loucura ele permanecia sóbrio… Dormira de novo e acordara, que sorte! A loucura não o matara, ainda. O coelho da páscoa que visitara seu sonho trouxera um ovo recheado de esperança… Até que acordou e teve o vislumbre daquela corda nociva presa ao galho da árvore esperando por seu corpo, sua alma… Era essa a esperança que lhe restara. Mas calma… Quem era mais louco? O psicótico ou o autor que o inventara? Seria eu poço dessa loucura? Não… Não poderia ser, a sobriedade ainda me cobria da cabeça aos pés. Minha neurose permanecia intacta, por enquanto. Mas voltando ao louco, ele despede-se de mim agora. Tchau, louco! Adeus! Não me apareça novamente, não me roube o sono, seu psicótico maldito. Não ousarei sair da cama para escrever sobre você de novo, adeus…

Os esquizofrênicos. H.Conrado (via nevou)

acordo na hora que meu corpo deseja.
me alimento quando tenho fome.
meus pais são vivos e meu cachorro também.
ganho meu sustento escrevendo.
raramente tenho compromissos ou preciso estar em qualquer lugar.
só convivo com quem quero.
na maioria das noites, embalo o sono da minha companheira beijando seus pés até ela dormir.
se eu tivesse medo, teria medo de as coisas só poderem piorar.
mas não tenho medo.

— Alex Castro, “medo”. (via infertil)

Dá vontade de voltar no tempo, e consertar.

Manuscrituras     (via deteriorada)

O rosto contra o peito de quem te abraça, as batidas do coração dele e as suas, o silêncio que sempre se faz durante esse envolvimento físico: nada há para se reivindicar ou agradecer, dentro de um abraço voz nenhuma se faz necessária, está tudo dito.

Martha Medeiros     (via nevou)

Não é o texto mais triste, nem o mais alegre. Não será meu preferido, não estufarei o peito com minha assinatura embaixo, não será o mais comprido, nem o mais curto, não escolherei as melhores palavras, não terá poesia, tampouco rima, métrica e beleza. Não será engraçado. E começa com uma negação que mais parece um pedido de desculpas aos olhos que esperam algo que vá além de puro sufocamento. Sem lógica, as palavras saem assim. Embaçadas e sem gosto como comida de hospital. Talvez seja mesmo um pronto-socorro para o que sangra aqui dentro, e, se sal é veneno para os hipertensos, a lógica também envenena os hiper românticos. Pode ser apenas um exagero, um tanto faz, uma tempestade em copo d’água. Um acorde desafinado de uma canção encharcada pela saudade. A agulha risca o meu vinil e tudo o que saí são fragmentos de um perdão inverossímil. Pois eu não perdoo. Não perdoo e sinto ódio de você por teimar em insistir, mesmo porque eu e você nunca nos separamos. Sempre forçamos aquele ‘nós’ embasbacado, fajuto, emaranhado numa cama de gato, mais cá do que lá, trôpego, desgraçado. Aquele ‘nós’ que existia dia sim e dia não, prevalecendo uma dúvida que nos levava a simplesmente acreditar. Éramos tudo isso que chamamos de inspiração. Éramos. Éramos do verbo: Eu não existo mais na sua vida, por que você continua aqui? Jogue o marcador de livros fora, desamasse a ponta da página, esconda, rasgue, queime, faça o que quiser, mas não permita-se continuar. Deixe que os textos morram sufocados, afogados nas lágrimas das cinzas que o relógio soltar. A procura acabou, os sonhos fecharam as pálpebras pela primeira vez. É a tristeza que não deixa fechar as cortinas de um palco vazio, acompanhado pelas moscas no fim da platéia que aplaude a morte de sabe-se lá o quê. O mistério do amor será descoberto por alguém com mais sorte do que aquele ‘nós’ que sempre teve uma pitada a mais de você, porque eu só sirvo para escrever, não para amar. Abra as asas e voe por ‘entreosespaços’, ‘entreasbrechas’ que deixo sobrando na janela das minhas palavras. Eu coloco a borracha na tua mão, mas lembre-se que o carvão ainda ficará comigo. Porque sempre fomos assim: criatura e criador. O que quer que tu sejas, deixe que eu seja o monstro. Deixe que eu assuma a culpa, mas me perdoe. Nós nunca vamos ficar bem, você sabe disso. Choramos por nada. Nosso sofrimento é quase uma piada sem graça. Então, no último ato, nos créditos finais, na ponta dos dedos que escrevem uma palavra e apagam três, permita-me que eu me apresente pela primeira vez: Eu sou aquele que passou a acreditar em céu só para ter como te matar dentro do próprio coração e, ainda assim, saber onde te encontrar.

Cinzentos  (via sexisst)

Some lose all mind and become soul, insane.
some lose all soul and become mind, intellectual.
some lose both and become accepted.

— Charles Bukowski. (via abstraire)

Antes mesmo de começar a ler a carta que tu me deixou aqui eu já sabia que iria chorar, chorar de saudade. Por sentir falta do seu abraço, do seu carinho, do seu sorriso. Eu sinto sua falta a todo momento, quando eu deito em minha cama ta lá a sua foto no meio do meu quadro, a nossa foto. O nosso último abraço esta presente na minha memória a todo momento. Eu conto os dias esperando ter você de novo perto de mim. São tantos detalhes que me fazem lembrar você. Eu guardei com carinho o pingente que você me deu. E então eu li e reli sua carta hoje e não aguentei e novamente chorei, chorei porque sinto sua falta e não aguento mais essa distância entre a gente. Eu te amo.

 Daniel Felipe - A saudade faz um homem chorar  (via segredos-poeticos)